terça-feira, 14 de Abril de 2009

Constituição e Funcionamento do Sistema Digestivo



No sistema digestivo acontecem acções mecânicas (mastigação e movimentos peristálticos) e químicas (acção da saliva, da bílis e dos sucos gástrico, pancreático e intestinal) ao longo do tubo digestivo, que permitem fazer a digestão.
A digestão permite desdobrar as grandes moléculas dos alimentos em constituintes mais simples, que poderão ser absorvidos pelo sangue e pela linfa.
No Homem, o sistema digestivo é constituído pelo tubo digestivo e pelas glândulas anexas.
O tubo digestivo compreende a boca, faringe, esófago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus. As glândulas anexas, responsáveis por secreções importantes na digestão, são as glândulas salivares, o fígado e o pâncreas.
O tubo digestivo tem cerca de 9 metros de comprimento e duas aberturas para o exterior - a boca, onde o tubo tem o seu início, e o ânus, onde termina.
A boca recebe os alimentos do exterior (ingestão) e inicia a digestão, com a ajuda dos dentes e da língua, formando o bolo alimentar que passa à faringe.
É na faringe que ocorre o fenómeno da deglutição, durante o qual a epiglote fecha a laringe (tubo do aparelho respiratório) e o bolo alimentar desce ao esófago.
As paredes do esófago contraem-se ritmicamente, fazendo os chamados movimentos peristálticos, empurrando o bolo alimentar para o estômago, passando através de um esfíncter que actua como válvula - a cárdia.
Os movimentos peristálticos acontecem no esófago, estômago, intestino delgado e intestino grosso.
O estômago é um órgão, de paredes musculosas, em forma de J e com o volume aproximado de 1,5 litros. É revestido, internamente, por uma camada espessa de pregas gástricas, onde se situam as glândulas gástricas. Estas produzem suco gástrico, constituído por ácido clorídrico e enzimas digestivas. O bolo alimentar é então transformado em quimo, o qual abandona o estômago, através de outro esfíncter, o piloro, passando ao intestino delgado.
O intestino delgado recebe, através do canal colédoco, as secreções do fígado e do pâncreas, produz suco intestinal, transforma o quimo em quilo, proporciona a absorção de nutrientes e transporta o material não digerido para o intestino grosso.
O intestino delgado inclui o duodeno (primeira parte), o jejuno e o íleo (última parte) e termina o esfíncter íleo-cecal.
A parede do intestino delgado é revestida por vilosidades intestinais (cada uma contendo vasos sanguíneos e um pequeno vaso linfático - o quilífero), que permitem aumentar a superfície de absorção dos nutrientes, facilitando a sua passagem para o sangue e linfa.
O intestino grosso inclui o cego, o cólon e o recto, está ligado ao intestino delgado e termina no ânus que funciona como um duplo esfíncter.
No intestino grosso dá-se a absorção da água e sais minerais, sendo as fezes preparadas e armazenadas para posteriormente ocorrer a defecação.
O cego, que fica logo abaixo da entrada do intestino grosso, tem uma pequena projecção vermiforme - o apêndice - que está sujeito a inflamação dolorosa - a apendicite.
O cólon é composto por três partes - cólon ascendente, cólon transverso e cólon descendente.
O pâncreas é um órgão anexo ao tubo digestivo. Situa-se na cavidade abdominal, abaixo do estômago, tendo funções endócrinas (produz substâncias para o sangue, como a insulina) e exócrinas (lança no intestino delgado o suco pancreático).
O fígado é outro órgão anexo ao tubo digestivo. Situa-se à direita, por cima do estômago, e segrega a bílis, que neutraliza a acidez do quimo e ajuda a emulsionar as gorduras, permitindo a acção das enzimas digestivas. É lançada no intestino delgado, através do canal colédoco e quando não se está a realizar a digestão, é armanezada na vesícula biliar.
As glândulas salivares são glândulas anexas ao tubo digestivo e localizam-se próximo da boca, para onde eliminam a saliva por elas produzida. São em número de três pares e, em função da sua localização, denominam-se parótidas, sublinguais e submaxilares.
A digestão dos alimentos é iniciada na boca, onde se verifica, essencialmente, a mastigação, havendo a quebra das grandes partículas alimentares noutras de menores dimensões que seguidamente são deglutidas. Ao mesmo tempo que o alimento é mastigado, dá-se a mistura deste com a saliva.
A amílase salivar é a enzima da saliva e permite a degradação do amido em maltose, que posteriormente será simplificada em unidades de glicose (principal substrato energético das células), por enzimas específicas, no duodeno.
A amílase salivar apenas actua em situações de pH próximo da neutralidade, motivo pelo qual o pH da boca varia entre os 6 e os 7.4. A sua acção prolonga-se mesmo no decurso do processo de deglutição, até à chegada ao estômago, onde é inactivada pelo pH ácido do suco gástrico.
À excepção da água, dos sais minerais e das vitaminas, que não necessitam de digestão, os nutrientes que não sofreram as necessárias transformações na boca, serão posteriormente digeridas no estômago ou no intestino delgado.
Alguns apontamentos para os alunos do 9º ano.